O mês de abril chegou ao fim e com ele a
confirmação do que a maioria dos que atuam no setor esperava: queda das vendas
de carros. Todos já previam que a restrição do crédito teria impacto certo no
faturamento do setor.
Os números divulgados pelo setor dão conta de
que as vendas de abril foram da ordem de 257,9 mil unidades de veículos novos,
o que representa queda de 14,2% em relação ao mês anterior e 10,8% em relação
ao mesmo mês de 2012. Eu particularmente confesso que esperava retração maior,
pois coincidiu a restrição de crédito com o esgotamento dos estoques de carros importados
com alíquotaantiga do IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados.
Os motivos podem ser diferentes, mas o fato é
que as vendas de autos estão caindo em várias países. O mercado europeu, por
exemplo, caiu 7% em março.
Durante o primeiro trimestre do ano, o mercado da UE
diminuiu 7,7%, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Portugal foi o país que registou a
maior queda em abril (-45,7%). Além dele, Itália (-26,7%), França (-23,2%) e
Espanha (-4,5%) foram castigados com retração das vedas. Seguramente, de todos
os países da Europa. No acumulado de janeiro a abril de 2012, Portugal
apresenta queda de (-48,2%). O mercado português estádo décimo
sexto mês consecutivo dequeda.
Na
China, onde o setor de veículos parecia nunca parar de crescer, contabilizou no
primeiro trimestre de 2012 queda de 1,8% em relação ao mesmo período de 2011. Nos Estados Unidos, as vendas estão crescendo
em reação ao ano anterior, mas não podemos esquecer que eles estão crescendo
sobre uma base muito baixa. No início da década, o mercado Norte Americano
faturava quase 18 milhões de veículos e atualmente está na casa dos 13 milhões.
No Brasil, caso não haja flexibilização do
crédito, a situação deve exigir muita habilidade do setor, pois a possibilidade
de aumento dos preços dos combustíveis não deve ser afastada. Além disso, o
aumento dos estoques da rede deve pressionar a rentabilidade das empresas do segmento,
e caso as vendas não reajam, não demorará muito para haver demissões no setor.
Diante de tantos desafios, só falta mesmo alguma montadora anunciar no Brasil aumento
de preços.
Vamos aguardar o mês de maio par ver o que
acontece.
Ótima semana,
Evaldo Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do
Brasil
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