O
setor automobilístico nacional dá sinais claros de desaceleração de
faturamento. Depois da anunciada queda de vendas em abril, os primeiros dez
dias de maio não apresentaram nenhuma reação positiva.
Ao
contrário disso, o que se viu foi às financeiras tirarem ainda mais, o pé do
acelerador de novos financiamentos. Para aprovar um crédito atualmente, é
preciso ter uma ficha impecável. Aliás, a coluna do Ancelmo Gois deste domingo
13/05, informa que Ronie Lima, que foi assessor de Carlos Minc, teve seu crédito
negado em uma concessionária Fiat no Rio de Janeiro, onde tentou comprar um
carro novo.
O
motivo alegado foi que o banco não financiava para políticos.Caso essa
tentativa de compra tivesse ocorrido alguns meses atrás, provavelmente não
teria sido negada. O que se nota é a pouca disposição dos agentes financeiros
para assumir novos créditos. O reflexo é a queda ainda maior das vendas,
pressão dos estoques que continuam subindo e ambiente empresarial duvidoso, já
que ninguém sabe se e quando o crédito voltará a ser flexível como antes.
As
empresas do setor começam a sentir o reflexo da baixa no faturamento, e as
demissões no varejo já começaram a ocorrer. Na última semana, um empresário de
São Paulo, proprietário de um grupo com meia dúzia de concessionárias, me
confessou ter demitido 60 funcionários, representando em torno de 10% de seu
efetivo.
As
médias e grandes empresas também começam a se mexer. Em Betim, Minas Gerais,
por exemplo, desde terça-feira
(8/5), 587 funcionários da Teksid, empresa de fundição de autopeças, estão de
férias remuneradas por dez dias. O número equivale a cerca de 15% dos
funcionários da empresa. A Fiat já fala em férias coletivas, já que seus
estoques subiram para 45dias.
A medida não atinge apenas o segmento
de automóveis, mas também de caminhõese ônibus. De acordo com dados da Anfavea,
o setor de caminhões licenciou 11.586 unidades em abril, 27,2% a menos do o mês
anterior.A Mercedes-Benz (caminhões e ônibus), que também tem uma fábrica em
Juiz de Fora, Minas Gerais, colocou de licença remunerada, por um mês, 480
funcionários paulistas.

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