Economias
crescentes e o fortalecimento da classe média, têm impulsionado o desempenho da
indústria automobilística asiática nos últimos 10 anos. As vendas de veículos
na Ásia-Pacífico chegaram a 30 milhões de unidades em 2011, e cresceram a média
de quase 13% ao ano, entre 2000 e 2011.
Estes
números são ainda mais impressionantes quando comparados com a queda na América
do Norte (apesar da recuperação dos Estados Unidos) e do inexpressivo
crescimento na Europa (de apenas 1% e a previsão para 2013, não é nada
animadora).
Os estudos
indicam que o crescimento de vendas de automóveis na Ásia continuará pelos
próximos 10 anos. As previsões são de que a renda familiar dos asiáticos cresça
a taxa superior a 5% ao ano, entre 2012 e 2020. Os países que mais devem
crescer são China, Índia, Indonésia e Vietnã. A guisa de ilustração, as taxas
anuais de crescimento projetadas para os países desenvolvidos são de pouco
menos de 2% anual, no mesmo período.
O
continente asiático tem muito potencial de crescimento. Um exemplo disso, é o
fato dos países desenvolvidos da Ásia, a exemplo de Taiwan, Coréia do Sul,
Japão, Brunei e Malásia, terem relação de um carro para quatro habitantes. Já a
China, com o maior número mundial de vendas de veículos (18,5 milhões de
unidades em 2011) tem um veículo de passageiros para cada 18 habitantes, menor ainda
do que na Tailândia que é de um para 16. Em 2011, essa mesma proporção foi de
um carro para cada 25 habitantes na Indonésia, um para cada 62 na Índia, e um
para cada 111 nas Filipinas.
Apesar do
grande e constante crescimento da indústria automobilística chinesa, quem está
colhendo os melhores frutos é a Tailândia. Para se ter uma real ideia do potencial
e desempenho do setor automobilístico tailandês, basta verificar que nos primeiros 11 meses de
2012, a indústria de lá registrou crescimento de quase 100% de investimento
estrangeiro. Foram algo em torno de 434.000 milhões de baht (EUA $ 14 bilhões)
e 66% das empresas japonesas investiram pesadamente na Tailândia.
O segundo
país asiático que mais se beneficiou do crescimento do setor automobilístico na
região foi a Indonésia que recebeu aproximadamente US$ 20 bilhões de
investimentos e esse número continua crescendo. A Toyota, atualmente detém por
lá 60% de market share e planeja
investir mais US $ 1,7 bilhão, nos próximos cinco anos, para tentar manter a
difícil missão de barrar os avanços dos concorrentes.
Apesar de
uma infraestrutura precária, a demanda por carros continuará crescendo na Indonésia.
Um ponto que ajuda a explicar tal expectativa é que para, por exemplo, se
igualar a relação de carros versus
habitantes da Tailândia, a Indonésia precisa crescer a frota em 6 milhões de
unidades.
Porém não é
apenas a demanda por carros que é grande na região. Boa parte dos países da
Ásia, a exemplo dos que citamos neste artigo,
investiram enormemente em educação. Logo, contam com mão de obra
qualificada e respondem positivamente aos significativos avanços tecnológicos
da indústria moderna.
Além disso,
estão melhores preparados para lidar com mundo a cada dia mais globalizado.
Estão desenvolvendo e fortalecendo marcas próprias, produtos modernos e de qualidade,
cortando custos de produção com redução de encargos e se mantendo competitivos
em termos de eficiência de produção.
O único
país, dos citados, que não está cortando custos trabalhistas é a Tailândia,
pois considera que o seu valor de mão-de-obra é competitivo. No entanto, está
se atualizando tecnologicamente, investindo fortemente em atividades de P &
D, e na capacitação de sua força de trabalho.
O fato é
que quando o ambiente é atrativo para investimentos, não precisa de muito esforço,
pois o investidores percebem, correspondem aos apelos e investem. Afinal de
contas, é exatamente desta forma que as coisas funcionam no mundo capitalista moderno.
Ótima semana,
Evaldo
Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das
Concessionárias do Brasil
Blog: verdesobrerodas.com.br

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