terça-feira, 9 de outubro de 2012

Até que ponto a crise europeia afetará as montadoras francesas do Brasil?


A crise que se abate sobre a Europa não tem data para terminar nem sinais do quanto afetará a economia do continente. O que se viu até agora foi a queda da produção industrial, redução da oferta de crédito, diminuição do consumo, aumento do desemprego e diminuição da competitividade das empresas, especialmente, as dos países mais afetados (Grécia, Irlanda, Espanha, Itália e Portugal).

A situação é tão grave que a França, segunda maior economia do bloco, está tendo que conviver com uma das suas piores crises depois da segunda guerra, exigindo medidas amargas e impopulares a fim de recuperar a economia.

O que acontecerá com as montadoras de veículos da França? Até que ponto a crise afetará o desempenho delas no Brasil? O que pode acontecer com as demais montadoras europeias? É cedo para fazer uma avaliação, mas provavelmente as marcas da Alemanha serão as menos afetadas devido a melhor condição da economia deles e, também, da penetração dos seus fabricantes nos mercados emergentes.

As marcas que conseguiram fazer parcerias internacionais, que realizaram joint venture com fabricantes que operam nos países emergentes, especialmente nos BRIC’s, terão mais chances de sustentarem as suas posições.

Porém, as marcas europeias que não buscaram expandir-se para mercados de outros continentes nas décadas passadas, estarão vulneráveis, principalmente, se a crise for prolongada.

A Peugeot, por exemplo, que passa por situação difícil em sua terra natal, já avisou que terá que cortar muitos postos de trabalho (em torno de oito mil, só na Europa, até 2014), fechar algumas plantas europeias e rever as suas estratégias de investimentos. A montadora francesa que já ocupou a segunda posição no ranking dos maiores fabricantes de carros da Europa, atualmente, se contenta com o oitavo lugar.

No Brasil a sua participação é inferior a 3% e ela ocupa a nona posição. Por aqui, ela provavelmente terá dificuldades para ganhar penetração, já que acabam de chegar ao país novos entrantes oferecendo produtos na faixa de entrada do mercado, que representa em torno de 70% do setor.

A Renault tem tido uma postura diferente no Brasil. Ela vem ganhando penetração rapidamente a ponto de se aproximar da Ford, quarta colocada no ranking das maiores montadoras do mercado brasileiro. Aliás, a montadora francesa já supera a rival norte americana em algumas regiões do país. A aliança com a Nissan parece estar dando bons resultados.

No entanto, o recém anuncio do presidente francês François Hollande de aumentar os tributos para as empresas, especialmente, as de grande porte, poderá ser um golpe terrível para as pretensões das duas montadoras.

Aliás, neste sentido o diretor-executivo da Renault Carlos Ghosn aproveitou a abertura do salão do automóvel francês (de 29/09 a 14/10) para evidenciar que mantidas a situação mercadológicas e a proposta de aumento dos impostos, a Renault perderá competitividade e não conseguirá se manter no atual modelo de negócio.

Será que algumas montadoras da Europa vão precisar da ajuda do governo a exemplo do que ocorreu recentemente com as dos Estados Unidos? Ocorrendo tal hipótese, irão os governos europeus ter condições de socorrer?

A crise europeia tem dado algumas lições e uma delas é que quem não se expandiu internacionalmente nas décadas passadas, não buscou parcerias inteligentes e não investiu em novos produtos para os mercados emergentes, pagará caro pelo equivoco.

Pense nisso e ótima semana,

Evaldo Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil
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