A crise que se abate sobre a Europa não tem
data para terminar nem sinais do quanto afetará a economia do continente. O que
se viu até agora foi a queda da produção industrial, redução da oferta de
crédito, diminuição do consumo, aumento do desemprego e diminuição da
competitividade das empresas, especialmente, as dos países mais afetados
(Grécia, Irlanda, Espanha, Itália e Portugal).
A situação é tão grave que a França, segunda
maior economia do bloco, está tendo que conviver com uma das suas piores crises
depois da segunda guerra, exigindo medidas amargas e impopulares a fim de
recuperar a economia.
O que acontecerá com as montadoras de veículos
da França? Até que ponto a crise afetará o desempenho delas no Brasil? O que pode
acontecer com as demais montadoras europeias? É cedo para fazer uma avaliação,
mas provavelmente as marcas da Alemanha serão as menos afetadas devido a melhor
condição da economia deles e, também, da penetração dos seus fabricantes nos
mercados emergentes.
As marcas que conseguiram fazer parcerias
internacionais, que realizaram joint
venture com fabricantes que operam nos países emergentes, especialmente nos
BRIC’s, terão mais chances de sustentarem as suas posições.
Porém, as marcas europeias que não buscaram
expandir-se para mercados de outros continentes nas décadas passadas, estarão
vulneráveis, principalmente, se a crise for prolongada.
A Peugeot, por exemplo, que passa por situação
difícil em sua terra natal, já avisou que terá que cortar muitos postos de
trabalho (em torno de oito mil, só na Europa, até 2014), fechar algumas plantas
europeias e rever as suas estratégias de investimentos. A montadora francesa que
já ocupou a segunda posição no ranking dos maiores fabricantes de carros da
Europa, atualmente, se contenta com o oitavo lugar.
No Brasil a sua participação é inferior a 3% e
ela ocupa a nona posição. Por aqui, ela provavelmente terá dificuldades para
ganhar penetração, já que acabam de chegar ao país novos entrantes oferecendo
produtos na faixa de entrada do mercado, que representa em torno de 70% do
setor.
A Renault tem tido uma postura diferente no
Brasil. Ela vem ganhando penetração rapidamente a ponto de se aproximar da
Ford, quarta colocada no ranking das maiores montadoras do mercado brasileiro.
Aliás, a montadora francesa já supera a rival norte americana em algumas
regiões do país. A aliança com a Nissan parece estar dando bons resultados.
No entanto, o recém anuncio do presidente
francês François Hollande de aumentar os tributos para as empresas,
especialmente, as de grande porte, poderá ser um golpe terrível para as
pretensões das duas montadoras.
Aliás, neste sentido o diretor-executivo da
Renault Carlos Ghosn aproveitou a abertura do salão do automóvel francês (de
29/09 a 14/10) para evidenciar que mantidas a situação mercadológicas e a
proposta de aumento dos impostos, a Renault perderá competitividade e não
conseguirá se manter no atual modelo de negócio.
Será que algumas montadoras da Europa vão
precisar da ajuda do governo a exemplo do que ocorreu recentemente com as dos Estados
Unidos? Ocorrendo tal hipótese, irão os governos europeus ter condições de
socorrer?
A crise europeia tem dado algumas lições e uma
delas é que quem não se expandiu internacionalmente nas décadas passadas, não
buscou parcerias inteligentes e não investiu em novos produtos para os mercados
emergentes, pagará caro pelo equivoco.
Pense nisso e ótima semana,
Evaldo Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das
Concessionárias do Brasil
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